A norma da OTAN que classifica proteção balística e antimina em veículos blindados militares. Do nível 1 ao 6 — o que cada um significa e como se aplica ao Brasil.
STANAG 4569 (Standardization Agreement 4569) é o acordo de padronização da OTAN que define os níveis de proteção de veículos blindados leves e médios. Ele cobre três domínios: ameaças cinéticas (Anexo A), minas terrestres e IEDs (Anexo B) e artilharia (Anexo C).
A norma é a referência mundial para especificação de blindagem veicular militar — inclusive em programas brasileiros como VBTP-MR Guarani, VBC Cavalaria e sucessores do Cascavel/Urutu.
Anexo A — Níveis balísticos (cinético)
Nível 1: 5.56x45 M193 e 7.62x51 NATO Ball a 30m — ameaça de fuzis leves à curta distância. Blindagem típica: aço balístico 8-10 mm + vidro balístico 40 mm.
Nível 2: 7.62x39 BZ API a 30m — ameaça de AK com munição perfurante. Espessura sobe para 12-16 mm em aço + camadas de compósito.
Nível 3: 7.62x51 AP (WC core) a 30m — perfurante NATO. Aço balístico 500-600 HB + Kevlar/UHMWPE, tipicamente 20-25 mm equivalentes.
Nível 4: 14.5x114 AP/B32 a 200m — metralhadora pesada KPV. Blindagem multicamada com cerâmica; frontal pode chegar a 50 mm.
Nível 5: 25mm APDS a 500m — canhão automático (ex.: Bushmaster). Fora do escopo de blindagem leve; territorial de veículos médios.
Nível 6: 30mm APFSDS — proteção veicular pesada, tanques leves e médios.
Anexo B — Níveis antimina e IED
Nível 1: 6 kg TNT anti-personnel sob qualquer parte do veículo.
Nível 2a: 6 kg TNT anti-tank sob roda — típico para viaturas 4x4 táticas patrulhando áreas de risco.
Nível 2b: 6 kg TNT anti-tank sob centro do assoalho — cenário mais crítico, exige assoalho em V ou casco monocoque desviador.
Nível 3a: 8 kg TNT sob roda. Nível 3b: 8 kg TNT sob assoalho.
Nível 4a/4b: 10 kg TNT — reservado a MRAPs (Mine Resistant Ambush Protected) de grande porte.
Além da massa de explosivo, a norma prescreve limites de aceleração no assento (para proteger a coluna dos ocupantes) e integridade estrutural mínima pós-explosão.
Como se especifica um veículo STANAG
A especificação típica combina um nível cinético + um nível de mina. Exemplo: 'STANAG 4569 nível 3 balístico / nível 2a mina' — usado em viaturas 4x4 táticas de emprego geral.
O nível balístico pode variar por face: frontal 4, laterais 3, teto 2, assoalho blindado só contra estilhaço. Isso é padrão em veículos otimizados para peso — reforço estrutural onde a ameaça é mais provável.
Cada painel balístico entregue deve vir com laudo por lote, número de série gravado, curva V50 documentada e conformidade dimensional com o desenho do veículo.
Materiais típicos por nível
Níveis 1-2: aço balístico laminado (Armox, Ramor, Miilux) 6-12 mm + vidros balísticos 40-50 mm.
Nível 3: aço balístico 12-18 mm + camada interna de UHMWPE ou aramida anti-spall.
Nível 4: multicamada com cerâmica (SiC, Al2O3 ou B4C) + UHMWPE + aço; pesos por m² sobem significativamente.
Vidros balísticos evoluem em paralelo: policarbonato + vidro temperado laminado, com espessuras entre 40 mm (nível 1) e 90 mm (nível 4).
Aplicação em programas nacionais
STANAG 4569 é referência direta para contratos das Forças Armadas brasileiras e programas estratégicos: VBTP-MR Guarani (níveis 3-4 balístico, 2a-2b mina), VBC Cavalaria, e sucessores do Cascavel/Urutu em modernização.
Polícias militares e civis também têm adotado especificações STANAG para viaturas blindadas de operação especial, especialmente em unidades como BOPE, COE, ROTA e CAOE.
A Fortim Blindagens atua com painéis balísticos compatíveis com integração veicular nos níveis 2 a 4, entregues com laudo balístico rastreável por lote, número de série e certificação DFPC.
Erros comuns de especificação
Confundir 'STANAG nível 3' com 'NIJ nível III': são normas diferentes com ameaças diferentes. STANAG usa munições e distâncias militares; NIJ 0101.06 é para proteção individual civil/policial.
Pedir 'nível 4 total' sem análise de ameaça: eleva peso e custo drasticamente e pode inviabilizar a mobilidade do veículo. O correto é distribuir níveis por face.
Ignorar o nível antimina: viaturas usadas em fronteira ou área de risco IED sem proteção Anexo B expõem tripulantes a lesão grave por sopro, mesmo sem penetração de estilhaço.
